sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um novo Emboabas para o Brasil


A vitória de uma mulher na presidência da República Federativa do Brasil significa para o país e para Minas Gerais, em especial, um rememoramento e um reavivamento de um dos primeiros embates e conflitos entre brasileiros de diversas identidades e origens – brasileiros natos –, reinóis e aventureiros que haviam adotado este vasto continente, cercado por florestas e grandes rios, atraídos por sua beleza e suas riquezas – o ouro e o diamante, em especial. Emboabas, este evento distante e longínquo no tempo, mas não longínquo no coração e na memória histórica do país foi fundamentalmente um grande evento que ativou a grandeza e a multiversidade que se tornou o Brasil, e por isso mesmo, pode ser considerado um evento fundador da nação, ainda que alguns séculos anteriores à independência, de fato, do Brasil.
Os emboabas lutaram pelo direito de exploração não exclusiva das minas as quais os bandeirantes se achavam como os únicos possuidores. A Coroa, à época, para resolver as contendas, separou a Capitania de São Paulo das Minas Gerais que foram anexadas diretamente ao Rio de Janeiro e logo depois, desmembradas. Surge assim a Capitania de Minas Gerais. Esse fato mostrou por um lado o reconhecimento da multiversidade do povoamento do Brasil, e que, mesmo na condição de Colônia, o país demonstrava desde o seu início, uma sociedade rica, multi-étnica, em formação e por isso mesma, fragmentada e dividida. O desmembramento da Capitania das Minas revela, ironicamente este fato, a luta de classes e a decisão da Coroa que procurou resguardar de certa forma a diversidade e a complexidade da formação brasileira, mesmo que inconscientemente e na forma da dependência, sobre um controle rígido e judicial da riqueza das minas e da terra, que locupletaram a Inglaterra e a sua posterior revolução industrial.
Esse mesmo evento se repete agora, distando alguns séculos depois na política brasileira. Dilma Rousseff representa a multiversidade e a complexidade da sociedade brasileira que vai desde o empresariado e os sindicatos, as igrejas de base e da libertação- evangélicas e católicas-, passando pelos centros acadêmicos, artísticos e culturais brasileiros, englobando as classes C, D e E, sem excluir aqueles extratos das classes A e B que têm um compromisso sólido como cidadãos com a nação e o país, e que se reconhecem como fruto social e histórico desta mesma nação. Do outro lado, se reúnem os grupos da direita, os grupos mais reacionários e atrasados da história do país, ligados ao agronegócio de rapina, a grupos ultraconservadores e ultramontanos das igrejas evangélicas e católicas, e aos cartéis internacionais, que veem na cartilha neoliberal, no pensamento único e no alinhamento acrítico aos EUA a única e legítima saída para um país “subdesenvolvido” – ou em desenvolvimento, porque hoje é mais chique falar assim por agora  -  e na mentalidade conservadora,  incapaz de soberania e desenvolvimento por si mesmo.
A eleição de Dilma Rousseff é esse novo emboabas que parece ecoar no Brasil de norte a sul, de leste a oeste. A vitória de Dilma Rousseff significa a vitória da Liberdade entre tantas liberalidades as quais nosso país se submeteu e que se opõe. Não se enganem, não são dois projetos similares para o Brasil. São projetos diametralmente opostos. Nos oito anos de governo FHC e nos oito anos de governo Lula na presidência da República, ambos em regimes democráticos experimentamos essa mesma liberdade, porém entre liberalidades opostas. Liberalidades a que os conglomerados internacionais tiveram durante os anos de FHC nas privatizações selvagens – que vão desde as Teles, as Siderúrgicas e as mineradoras, sendo a mais escandalosa a da Vale do Rio Doce -, no desmonte do Estado e das indústrias nacionais, nos financiamentos fabulosos da grande mídia e dos seus cartéis tão pouco democráticos e libertários em seus editoriais. E essas mesmas liberalidades a que os brasileiros e brasileiras tiveram no financiamento de suas micro-empresas, no ProUni e no Reuni na Educação, com recursos liberados pelo FUNDEB, o Pronaf na agricultura familiar, no Bolsa-Família, virulentamente chamado de bolsa-miséria, na valorização do salário mínimo, no reavivamento da indústria brasileira e da infraestrutura aeroportuária, das estradas, ferrovias, hidrovias e do parque naval brasileiro; na condução política e econômica da Petrobrás, reforçando a presença da União, seja no reordenamento da empresa seja no marco regulatório da extração do petróleo, no modelo chamado de partilha, que significa partilha das riquezas da extração, beneficiamento, industrialização e comercialização do mesmo gerando distribuição de riquezas para todos os brasileiros, significando mais Saúde, Educação, Cultura, Segurança Alimentar, Segurança, Infraestrutura, Desenvolvimento e Modernização. Estes e tantos outros fatores que concorreram durante os oitos anos de governo Lula no engrandecimento da nação e de seu povo, o seu maior tesouro.
Dilma Rousseff representa o voto na liberdade, na soberania, na auto-estima de um povo, e no destino de um país compromissado com o todo e não com as partes. O voto da consciência e da altivez de um povo que não mais se deixará ser manipulado e extorquido em seu destino e em seus direitos fundamentais. Ela representa genuinamente esse novo emboabas, e quis a história que ela fosse uma mineira, herdeira autêntica dessa tradição genuína e ímpar.
Montani semper liberi. Viva a Nação. Viva o País. Viva o Povo. Viva o Brasil.

 “O Brasil que eu defendo é aquele em que todos têm a oportunidade de subir na vida e realizar os seus sonhos. “ Dilma Rousseff
Jaques José de Souza, mineiro de São João del-Rei.
Bacharel em Filosofia PUC-Minas
Bacharel em Teologia PUS

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários. Portanto, não serão publicados comentários que firam a lei e a ética.

Por ser muito antigo, o quadro de comentários do blog ainda apresenta a opção "comentar anônimo" mas, com a mudança na legislação,

....... NÃO SERÃO PUBLICADOS COMENTÁRIOS DE ANÔNIMOS....