sexta-feira, 24 de maio de 2013

Bolsa família, de novo? "Tô de 'saco' cheio..."


Tenho lido várias reações em relação ao meu posicionamento sobre o Bolsa família e isso faz meus dedos (língua) coçarem. Algumas indiretamente, outras de forma direta, comentando minhas postagens ou comentários nas redes sociais, embate esse que julgo saudável! Não quero aqui defender o governo petista, até porque “O PT não é mais aquele’. Aliás, o PT nunca foi aquele, pois nunca tinha sido governo. O meu posicionamento, hoje, é em relação ao governo, na atualidade, e não ao movimento dos trabalhadores e intelectuais que formou o partido. Venho defender Políticas Públicas que julgo necessárias.

O posicionamento de muitos intelectuais das redes sociais contra os programas sociais, como o bolsa família, é fácil de ser entendido, mesmo porque é o posicionamento de todos os que são contra o programa (só o clichê muda). Desde quem conhece a realidade até as socialites dos Jardins (SP), que nunca foram a uma comunidade de maior vulnerabilidade social. No fundo, para não parecer deselegante, usam outros termos, mas, na verdade, creditam aos beneficiários o título de vagabundos, mesmo. A gente sabe como funciona. São os mesmos contra as políticas afirmativas de cotas, contra os direitos das minorias, contra as parcerias do Brasil com países da África, América Latina e Ásia.  Ah, eles são contra a corrupção também...

Os descendentes da Casa Grande são adeptos da meritocracia! "Por que tantos criticam o José da Silva, que recebe o Bolsa Família e ganha dinheiro sem mérito, e poucos falam, por exemplo, do filho do Abílio Diniz, que, sem trabalhar, foi sempre milionário e pôde se dar ao luxo de passar sua juventude competindo num esporte elitista sem maiores preocupações? Por que o não-trabalho do rico é visto como merecido e o não-trabalho do pobre é visto como folga?". 

Bem, conheço a realidade de famílias beneficiárias dos programas, pois venho de família que, se à época existisse algum programa semelhante, seria uma das beneficiárias, com certeza. Talvez, por isso defendo o programa (poderia citar outros motivos aqui, mas vou me deter, para não me acusarem de defender em causa própria). Defendo as cotas, e outros programas que vão de encontro aos direitos das minorias.

Chegam ao ponto de comparar o auxílio reclusão aos programas sociais do governo atual. Esse não é um programa do governo federal, mas uma obrigação constitucional (1988). É um benefício pago às famílias enquanto o preso, que contribuía para a previdência à época da prisão, estiver sob regime fechado ou semi-aberto. (http://www.previdencia.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22

Ah, mas pagamos muitos impostos no Brasil!” O Brasil não tem das maiores cargas tributárias do mundo, ao contrário do que a imprensa alardeia por aí e a gente engole goela abaixo como comida gostosa. “Em 2012, foi de 36%, mas na Europa tal relação transita hoje tranquilamente acima de 40%, tocando 45% na França e 46% na Alemanha, até chegar a 55% no caso da Suécia”. O problema no Brasil está na distribuição e na aplicação dos recursos, além da igualdade na cobrança dos impostos (quem ganha menos é taxado da mesma forma que quem ganha 10 x mais, por exemplo). (http://www.cartacapital.com.br/revista/749/os-assaltantes

Ah, mas o bolsa família é eleitoreiro, é pra ganhar votos”. “Sim, as políticas assistencialistas têm esse caráter político populista. Mas o buraco é mais embaixo. Primeiramente que tal política já havia sido desenhada no governo FHC e, mais do que isso, ela é uma indicação do próprio Fundo Monetário Internacional para países em desenvolvimento”. O motivo que leva o FMI a recomendar é pauta para outras postagens. Não pensem que seus diretores estão preocupados com quem passa fome!

Enfim, os programas sociais não devem ser lidos como uma AJUDA do governo, mas como garantia dos direitos constitucionais, como está previsto no Art. 6º da CF/88: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. Ou, então, rasgamos a Carta Política de 1988. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm)

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Um comentário:

  1. Ótimo post.
    Todo papagaio idiotizado que propaga as bobagens nas redes sociais (que a grande mídia com maldade e interesses políticos subliminarmente cria), DEVERIA ler esse texto e outros que pinçamos na internet. Pinçamos é a palavra, já que são poucos que tem o único interesse de informar e NÃO DEFORMAR a opinião pública.

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