quinta-feira, 30 de junho de 2016

O que poderia ter sido diferente nos governos petistas?

O primeiro desafio de um partido de esquerda é vencer uma eleição, no sistema político partidário brasileiro, o qual impõe ao partido a transformação da plataforma política num projeto de marketing eleitoral. Enquanto o PT não se ‘alinhou’ aos demais partidos do establishment político não alçou o poder.

Ao governar, o partido político de esquerda, no chamado presidencialismo de coalizão, vigente no Brasil, após a redemocratização, tem que montar uma base de sustentação no Congresso Nacional, composto por bancadas fisiológicas, financiadas por grupos que exercem fortes lobbies sobre os parlamentares. Como exemplo, podemos citar as bancadas financiadas por empresas de comunicação, de armas, do agronegócio, etc. Óbvio que a disputa pela política pública e pelo orçamento federal perpassará o que querem os financiadores da política partidária, ou seja, a escolha naturalmente obedecerá a interesses políticos e econômicos alheios ao projeto político vencedor das eleições.
No governo, o partido vai enfrentar as mazelas do “Estado Herdado”, ou seja, tentar quebrar o autoritarismo, o clientelismo, os projetos megalomaníacos, etc., como forma de intervir na ação estatal de modo que a atividade do Estado se transforme por dentro e para fora. O Estado, na conjuntura que o temos, é moldado para não reparar as históricas injustiças sociais que temos no Brasil, antes, perpetuam os processos e os procedimentos que mantêm as injustiças, as desigualdades, as dificuldades do cidadão brasileiro em ter acesso a esse Estado.
O governo petista, quando venceu sua primeira eleição, no Brasil, em 2002, alçou o poder em 2003, obteve êxito nas políticas sociais, nas políticas de educação e de transferência de renda, mas não conseguiu enfrentar e realizar reformas estruturantes necessárias a fim de reparar aqueles problemas do “Estado Herdado”, que são as reformas política, tributária, dos fundamentos macroeconômicos e de regulação da mídia. Principalmente, as reformas política e da mídia, hoje, são fundamentais para o momento político que vivemos.

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