quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Vá em paz, Dilma Rousseff!

Parabéns, paneleiros, camisas verde-amarelo, moralistas sem moral, que foram às ruas urrar contra a corrupção (de um partido só). 

Hoje, o parlamento brasileiro, envolto na mais ardilosa traição política recente, encabeçada pelos srs. Eduardo Cunha, Aécio Neves e Michel Temer, afastará definitivamente a presidenta Dilma Rousseff, do cargo para o qual foi eleita, em 26 de outubro de 2014, para um mandato de quatro anos.

Primeiro, não satisfeito com o resultado das urnas, lugar maior do exercício da soberania popular, Aécio Neves empreendeu uma campanha de deslegitimação do pleito eleitoral. Após auditoria realizada por seu partido, começou a flertar com o impeachment. Seus eleitores, acredito, pensaram que, caindo a presidente, quem assumiria seria o menino do Rio. 

Sem que se comprovasse um crime de responsabilidade previsto na legislação, tentaram que ela renunciasse ou que o seu partido ajudasse Eduardo Cunha a se safar do processo de cassação que enfrenta na câmara dos deputados. 

Começou a surgir a figura traidora do vice-presidente da República, Michel Temer. Vazou uma cartinha, no embalo dos vazamentos da operação Lava Jato, se aliou, despudoradamente, a Eduardo Cunha e ao que de pior temos no Congresso Nacional.
Passada aquela sessão vergonhosa, na Câmara dos Deputados, em 17.04.2016, o processo foi ao Senado Federal e, aceita a denúncia, Dilma foi julgada e condenada (sem provas). Tudo dentro do devido 'processo legal'.

Todas as vezes, na História, que o Estado mudou o rumo das políticas públicas, as elites empreenderam fortemente contra a democracia. Foi assim com Getúlio Vargas, em 1954, com João Goulart, em 1964, e, agora, com Dilma Rousseff.  

Vá em paz, querida! Vá com a consciência de quem deu o seu melhor na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A História lhe será grata. Eu lhe serei grato pela firmeza com que tratou a coisa pública.

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