domingo, 21 de novembro de 2010

Destino: Pirenópolis

“Pra não dizer que não falei (escrevo) de flores”, hoje quero falar de minha ida à Pirenópolis, cidade encravada no estado de Goiás, ou melhor, para os brasilienses, “no Goiás”!
Segunda, dia 15 de novembro de 2010, depois de dois meses na capital federal, fiz minha primeira viagem para fora das Minas Gerais e para dentro do centro-oeste brasileiro. E melhor: fui dirigindo! Esperava encontrar rodovias “retilíneas ao longe” como ouvia falar, mas minha geografia está desatualizada e no Goiás tem morro sim senhor! Tem cachoeira sim senhor, e das mais lindas, como pude ver em Salto Corumbá!
Pirenópolis foi fundada no início do século XVIII, e por isso preserva seu casario colonial, arquitetura bem distinta do barroco mineiro. Suas igrejas não têm a exuberância das igrejas são-joanenses, mas guardam também resquícios da busca pelo ouro, da luta pela libertação da escravidão... busca pela sua identidade. Guarda também a tradição religiosa trazida pelos portugueses expressada principalmente nas “cavalhadas” que acontecem na festa do Divino, como relatado por uma senhora, em Pirenópolis, daquelas pessoas que lutam sozinhas pela preservação memorial de suas raízes.
Almoço no “fogão à lenha”, como nas minhas minas, artesanato que me remete à cidade de Resende Costa com seus teares e fabricação quase que manual. Lembra-me muito mais pelo produto acabado do que pela produção, pois não ouvi dizer que por ali tivessem o hábito de usar o tear ou qualquer coisa parecida.
Como parte do patrimônio histórico nacional, o estado de Goiás está de parabéns pela aconchegante cidade, que ganha ainda mais exuberância por causa de suas belezas naturais encravadas no centro histórico da cidade, melhor dizendo, a cidade encravada nas belezas naturais do centro-oeste brasileiro!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um novo Emboabas para o Brasil


A vitória de uma mulher na presidência da República Federativa do Brasil significa para o país e para Minas Gerais, em especial, um rememoramento e um reavivamento de um dos primeiros embates e conflitos entre brasileiros de diversas identidades e origens – brasileiros natos –, reinóis e aventureiros que haviam adotado este vasto continente, cercado por florestas e grandes rios, atraídos por sua beleza e suas riquezas – o ouro e o diamante, em especial. Emboabas, este evento distante e longínquo no tempo, mas não longínquo no coração e na memória histórica do país foi fundamentalmente um grande evento que ativou a grandeza e a multiversidade que se tornou o Brasil, e por isso mesmo, pode ser considerado um evento fundador da nação, ainda que alguns séculos anteriores à independência, de fato, do Brasil.
Os emboabas lutaram pelo direito de exploração não exclusiva das minas as quais os bandeirantes se achavam como os únicos possuidores. A Coroa, à época, para resolver as contendas, separou a Capitania de São Paulo das Minas Gerais que foram anexadas diretamente ao Rio de Janeiro e logo depois, desmembradas. Surge assim a Capitania de Minas Gerais. Esse fato mostrou por um lado o reconhecimento da multiversidade do povoamento do Brasil, e que, mesmo na condição de Colônia, o país demonstrava desde o seu início, uma sociedade rica, multi-étnica, em formação e por isso mesma, fragmentada e dividida. O desmembramento da Capitania das Minas revela, ironicamente este fato, a luta de classes e a decisão da Coroa que procurou resguardar de certa forma a diversidade e a complexidade da formação brasileira, mesmo que inconscientemente e na forma da dependência, sobre um controle rígido e judicial da riqueza das minas e da terra, que locupletaram a Inglaterra e a sua posterior revolução industrial.
Esse mesmo evento se repete agora, distando alguns séculos depois na política brasileira. Dilma Rousseff representa a multiversidade e a complexidade da sociedade brasileira que vai desde o empresariado e os sindicatos, as igrejas de base e da libertação- evangélicas e católicas-, passando pelos centros acadêmicos, artísticos e culturais brasileiros, englobando as classes C, D e E, sem excluir aqueles extratos das classes A e B que têm um compromisso sólido como cidadãos com a nação e o país, e que se reconhecem como fruto social e histórico desta mesma nação. Do outro lado, se reúnem os grupos da direita, os grupos mais reacionários e atrasados da história do país, ligados ao agronegócio de rapina, a grupos ultraconservadores e ultramontanos das igrejas evangélicas e católicas, e aos cartéis internacionais, que veem na cartilha neoliberal, no pensamento único e no alinhamento acrítico aos EUA a única e legítima saída para um país “subdesenvolvido” – ou em desenvolvimento, porque hoje é mais chique falar assim por agora  -  e na mentalidade conservadora,  incapaz de soberania e desenvolvimento por si mesmo.
A eleição de Dilma Rousseff é esse novo emboabas que parece ecoar no Brasil de norte a sul, de leste a oeste. A vitória de Dilma Rousseff significa a vitória da Liberdade entre tantas liberalidades as quais nosso país se submeteu e que se opõe. Não se enganem, não são dois projetos similares para o Brasil. São projetos diametralmente opostos. Nos oito anos de governo FHC e nos oito anos de governo Lula na presidência da República, ambos em regimes democráticos experimentamos essa mesma liberdade, porém entre liberalidades opostas. Liberalidades a que os conglomerados internacionais tiveram durante os anos de FHC nas privatizações selvagens – que vão desde as Teles, as Siderúrgicas e as mineradoras, sendo a mais escandalosa a da Vale do Rio Doce -, no desmonte do Estado e das indústrias nacionais, nos financiamentos fabulosos da grande mídia e dos seus cartéis tão pouco democráticos e libertários em seus editoriais. E essas mesmas liberalidades a que os brasileiros e brasileiras tiveram no financiamento de suas micro-empresas, no ProUni e no Reuni na Educação, com recursos liberados pelo FUNDEB, o Pronaf na agricultura familiar, no Bolsa-Família, virulentamente chamado de bolsa-miséria, na valorização do salário mínimo, no reavivamento da indústria brasileira e da infraestrutura aeroportuária, das estradas, ferrovias, hidrovias e do parque naval brasileiro; na condução política e econômica da Petrobrás, reforçando a presença da União, seja no reordenamento da empresa seja no marco regulatório da extração do petróleo, no modelo chamado de partilha, que significa partilha das riquezas da extração, beneficiamento, industrialização e comercialização do mesmo gerando distribuição de riquezas para todos os brasileiros, significando mais Saúde, Educação, Cultura, Segurança Alimentar, Segurança, Infraestrutura, Desenvolvimento e Modernização. Estes e tantos outros fatores que concorreram durante os oitos anos de governo Lula no engrandecimento da nação e de seu povo, o seu maior tesouro.
Dilma Rousseff representa o voto na liberdade, na soberania, na auto-estima de um povo, e no destino de um país compromissado com o todo e não com as partes. O voto da consciência e da altivez de um povo que não mais se deixará ser manipulado e extorquido em seu destino e em seus direitos fundamentais. Ela representa genuinamente esse novo emboabas, e quis a história que ela fosse uma mineira, herdeira autêntica dessa tradição genuína e ímpar.
Montani semper liberi. Viva a Nação. Viva o País. Viva o Povo. Viva o Brasil.

 “O Brasil que eu defendo é aquele em que todos têm a oportunidade de subir na vida e realizar os seus sonhos. “ Dilma Rousseff
Jaques José de Souza, mineiro de São João del-Rei.
Bacharel em Filosofia PUC-Minas
Bacharel em Teologia PUS