quinta-feira, 31 de maio de 2012

Onde vamos parar sem a 'ley de medios'?

Segundo comentários de Luiz Antonio Barbosa no blog Os amigos do Presidente Lula, há uma série de controvérsias no papel da mídia, como podemos verificar a seguir, sobre a reunião da presidente Dilma Rousseff e o presidente do Supremo Tribunal Federal nesta semana, a primeira dos dois após a posse do ministro como presidente do Supremo:

Charge: Berzé


"A Secretaria de Comunicação do Planalto emitiu a seguinte nota:
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=208716

O Estadão emiti esta:
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,estado-divulga-nota-e-mantem-as-informacoes-publicadas,880024,0.htm

Alguém tem que colocar ordem na casa, ora tá igual casa de mãe Joana, ou quem pauta os poderes constituídos é o Estadão – acho que alguém com poderes legítimos e constitucionais está se furtando em usá-lo. Tem que ser mais claro? Falta pulso em alguém, há momentos que quem pode manda quem tem juízo obedece
".

A divergência é sobre o assunto tratado na reunião, que já estava marcada antes da divulgação da suposta conversa entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, em que este afirma 'categoricamente' que foi chantageado pelo primeiro a adiar o julgamento do processo chamado de 'mensalão'.
 
O ex-presidente tem o direito como cidadão e petista de querer que o processo seja julgado após as eleições, isso não quer dizer que ele tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes. Tanto é que nenhum dos pares no STF veio a público defender Gilmar Mendes, nem o ex- ministro Nelson Jobim que estava no encontro com os dois. Pelo contrário, Nelson Jobim, amigo de Gilmar, disse que não houve menção nenhuma em relação ao processo. Com tantos indicados por Lula no STF, não podemos acreditar que ele (raposa política que é) pediria logo ao seu desafeto (Gilmar)! Aliás, novos fatos surgiram ontem, na reportagem da Folha de São Paulo, no qual José Serra estaria por trás da reportagem de Gilmar à Revista Veja.

Voltando às divergências (ou inverdades) na notícia do Estadão sobre o encontro da presidente Dilma Rousseff com o ministro Carlos Ayres Brito, as notas oficiais tanto da Presidência da República quanto do STF negam a versão do jornal Estadão. Confiar em quem?

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Panorama político em São João del-Rei | Eleições 2012


E começa a se desenhar o panorama político das eleições em São João del-Rei neste ano de 2012. E com uma ferramenta importante na atualidade: o uso das redes sociais, que movimentou os usuários (eleitores) na última eleição ao reitorado da Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ, como tive a oportunidade de acompanhar. 


Segundo comentários nas redes sociais, o atual prefeito, Nivaldo José de Andrade, está para ser julgado em segunda instância num de seus mais de 70 processos, segundo consta pesquisa feita hoje no site do TJMG. Se ele for condenado, ficará impedido de disputar as eleições municipais deste ano, visto que a Lei da Ficha Limpa já está em vigor. O que vai alterar significativamente o quadro eleitoral na cidade, já que o mesmo tem um eleitorado cativo, devido ao atual sistema político, seu populismo e ao assistencialismo. Sendo assim, vamos ver qual a posição do Partido do Movimento Democrático Brasileiro- PMDB.


O Partido dos Trabalhadores - PT adiantou-se e lançou no último sábado seu único pré-candidato às eleições municipais, o atual reitor da UFSJ, Helvécio Luiz Reis, que sintetizou a união em torno de sua candidatura com os seguintes dizeres: Hoje, com essa pré-candidatura única, saímos daqui unidos em torno do meu nome. Estou disposto a construir com todos os partidos aliados um programa de governo que faça com que a nossa estrela, a estrela do PT, brilhe no mais alto mastro de São João del-Rei. É um grande nome que o PT lança, pois tem um trabalho reconhecido à frente da universidade, que na sua gestão viu o quadro de servidores crescer exponencialmente, o número de alunos praticamente triplicar e também o grande número de obras pelos campi da federal. Foi um excelente gestor, apesar das críticas em relação ao seu modo de administrar a UFSJ.


O Partido Comunista Brasileiro – PCB escolheu Alex Lombello Amaral como seu pré-candidato. Segundo o blog São João del Pueblo, Alex “É historiador e está lançando atualmente o livro Origens das Minas Gerais, que não tem nada sobre capitalismo e socialismo. Criou recentemente uma editora que já publicou livros de Karl Marx, Friedrich Engels, Rosa Luxemburg e Victor Serge”. Pouco conhecido na cidade, mas na rede tem manifestado suas ideias abertamente no embate político.


O Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB encontra-se numa situação complicada. Seu mentor, o senador Aécio Neves, cujo grupo econômico possui na cidade o maior jornal escrito, a única TV e as maiores rádios da cidade, não quer vê-la governada pelo maior partido opositor, o PT. Para isso, parece submeter-se até a um apoio ao atual prefeito, caso seja candidato, o que contraria muitos de seus filiados. Parece que o partido espera uma decisão da justiça para definir seus quadros, o que é lamentável. Não pensam na cidade, mas simplesmente no desgaste que uma derrota traria aos seus planos eleitorais em 2014. Nos bastidores, cogitam-se os nomes do empresário Renato Baccarini, do ex- professor da UFSJ, Aluísio Barros e do jovem tucano, Altamiro Gonçalves.


Os demais partidos, acredito que, apesar das articulações já acontecerem, irão esperar as definições tanto do PSDB, quando da candidatura ou não do atual prefeito, Nivaldo. Vamos aguardar os próximos capítulos dessa história que vai se desenhando em nossa cidade. Que melhores dias venham com as eleições!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A Administração e o interesse público

#CPI do Cachoeira

O interesse público constitui um tema que não se esgota, sendo de difícil exposição seu conteúdo. Neste breve texto, tentarei analisar o papel que o interesse público exerce na Administração Pública no que se refere aos atos de corrupção dos agentes públicos.

A questão vai de encontro à própria definição dada pelo jurista Marçal Justen Filho, renomado administrativista, em sua obra Curso de Direito Administrativo, na qual ele cita que “o efetivo titular do interesse público é a comunidade, o povo”; e ainda, que o “agente é o servo do interesse público”. Partindo dessas duas definições, vê-se que, em alguns casos o que observamos, na Administração Pública, seja por despreparo seja por má fé dos agentes públicos, é a prevalência de interesses privados sobre o interesse público. Ocorre que, em muitos desses casos, esta prevalência de interesses privados leva o agente público a lesar os cofres públicos, a utilizar-se de seus cargos para o enriquecimento ilícito, ao favorecimento de grupos econômicos a ele ligados ou por ele representados etc. Vide o atual escândalo de corrupção no Brasil ilustrado aqui por uma charge de autor por mim desconhecido.

Podemos indicar que quanto mais exercido for o controle social pelo cidadão, mais transparência teremos nos atos dos agentes públicos, permitindo assim, que estes possam repensar suas ações sempre pautadas pelo interesse público, da coletividade.


sexta-feira, 18 de maio de 2012

O museu e a arte contemporânea


Rua Santo Antônio, São João del-Rei / Autora: Maria Rita
Na arte contemporânea não existe limites estabelecidos para a invenção da obra, embora nem tudo em nome da liberdade, sem critérios e sem o risco de referências, a transgressão sem saber de que, divulgado como arte, é arte. Com o deslocamento dos suportes tradicionais, a exemplo da pintura e da escultura para outras opções estéticas ou experiências artísticas em processo, com o uso de novas tecnologias disponíveis ou não, mas principalmente com um novo conceito do que vem a ser uma obra de arte, hoje em dia, coloca em xeque o museu tradicional. Determinadas linguagens de natureza diversificadas da atualidade solicitam a reformulação de demandas e  estratégias museais, um outro modelo museológico e museográfico.

O museu é o recipiente de conservar uma coleção e preservar uma herança  estética e cultural  de um tempo que passou e do presente para significar o possível futuro. Ele ocupa um lugar de destaque entre os diferentes elementos que compõem o sistema da arte. Assim como o hospício e a clínica, é provável ver nele um espaço de confinamento, um espaço sagrado, intocável e asséptico de exposição de objetos, que exige do espectador um ritual de contemplação, quase em silêncio, das chamadas obras de arte.

Louvre Museum
Não é um lugar neutro, tem história e implicações ideológicas. Na primeira metade do século XX, o museu de arte era o depósito de repouso do moderno, questionado no início desse século pelo precursor das poéticas contemporâneas, Marcel Duchamp e seu novo paradigma, bem humorado, para a arte: não mais uma coisa criada pelo artista, mas a coisa que o sujeito reconhecido como artista escolhe e decide para ser
a obra de arte.

O museu como lugar passivo foi desarticulado com o Minimalismo na década de 1960 e logo em seguida a Arte Conceitual entrou em cena questionando de forma crítica e decisiva as instituições culturais, em especial o museu, o templo da sacralização da arte. O embate foi travado entre o museu e as novas propostas artísticas, efêmeras, privilegiando a ideia contra a materialidade que se armazena na instituição e alimenta o mercado de arte com mercadorias. A arte, desde então, passou a ser uma usina geradora de críticas, provocações e incômodos. Os mal-entendidos entre a arte e a  instituição museal foram inevitáveis e imprevisíveis.

O caráter problematizador dessa produção de arte praticamente rejeitou o estatuto da obra de arte como produto, isto contrariou interesses do mercado e o desejo de classificar e acomodar da instituição museológica. Para a arte contemporânea, o museu com sua arquitetura característica, com função de alojar uma diversidade de procedimentos, é um laboratório de ensaio do que pode ser uma obra de arte, um campo de experimentação. O museu é indispensável, é o ponto de partida e a estação de chegada. É ele que legitima o que se designa experiência artística. E o papel do museu, mais do que armazenar obras, é ser um espaço de pensamento crítico e educativo, frequentado por um público ativo e não mero observador do que está em exposição.

De certa forma, a arte produzida hoje, expõe feridas da cultura e do sistema da arte.  E o imaginário museal tem uma importância na formação do olhar capaz de pensar sobre a arte, do olhar que deixou de contemplar passivamente para experimentar e vivenciar. A arte de hoje não nos diz nada como a arte do passado, ela convida o espectador para refletir sobre o que é uma obra de arte e suas relações com o sistema institucional. Nesse caso, o museu é o lugar privilegiado para o exercício do pensamento, até porque, as obras efêmeras são transferidas ou resgatadas para dentro do discurso e da instituição museológica pelos documentos, registros e reproduções. 

Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)
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Jornal A Tarde - Salvador, 16/05/2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

“Eu vejo um museu de grandes novidades”

Nesta Semana Nacional de Museus, aproveitei para visitar 02 museus que representam muito em minha caminhada. Ainda semana passada, no sábado 12, estive no Museu da Liturgia, inaugurado no mês de abril na cidade de Tiradentes, próxima à minha amada São João del-Rei. Estive também visitando a recém inaugurada exposição de curta duração no Museu Regional de São João del-Rei: ‘Mestres, Artífices, Oficiais e Aprendizes – a Escultura e a Talha nos Séculos XVIII e XIX’.

Interações litúrgicas. Foto: @paulojsouza
Por que o museu da Liturgia (único na América Latina) fala ao meu coração? Primeiro, porque a liturgia sempre esteve muito presente na vida do mineiro, em especial de nós são-joanenses. Ela encarna-se no dia a dia dos moradores da princesinha d’Oeste. Em segundo, pelo fato do cuidado na idealização do museu, na qual os pensadores estão de parabéns tanto pela interatividade no uso das novas tecnologias quanto pela sagacidade em mostrar aos visitantes a proximidade da liturgia na vida do fiel-morador por assim dizer.
E o museu histórico de São João del-Rei, conhecido como Museu Regional, no qual comecei a ‘tomar gosto’ pelo conhecer museológico. Parece estranho a um administrador se interessar tanto por museus, mas, em São João del-Rei, não há profissional que não cresça imerso no fazer cultural. “Quem quiser descrever o universo tem que falar de sua própria aldeia. E minha alma é formada por sinos, igrejas barrocas e as imagens de infância em São João del-Rey” dizia o conterrâneo Otto Lara Resende. Foi lá que comecei a traçar os rumos da minha carreira profissional e, quem sabe, acadêmica um dia. Vale muito a pena visitar a nova exposição, bem como reencontrar os laços que nos ligam ao passado em sua exposição de longa duração (permanente).

Museu de Artes e Ofícios. Foto: @paulojsouza


Ainda no decorrer da semana presenciei a abertura da Semana Nacional de Museus no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte, com as presenças da ministra de Estado da Cultura e do presidente do Ibram - Instituto Brasileiro de Museus. Um evento que coloca os museus em destaque na mídia internacional, mas que no Brasil ainda está em sua décima edição. Um grande caminho a percorrer...

Turma do Ibram. Foto: @paulojsouza